Quarta-feira, Abril 05, 2006
Comecei um novo projeto, hoje.
E, pior, no mesmo dia da cirurgia de catarata de Momy...
Eita diazinho corrido, sô!
A cirurgia foi 10. Já o projeto...
Muito serviço e viagem à vista, pra semana que vem.
Vamos ver no que dá.
No Orkut, muitos novos amigos
e muitos alôs dos antigos!
Então... a gente se fala!
Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada.
E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava.
O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.
A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de clima.
Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía : "há muita gente nesta empresa".
E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.
Moral da história:
Tenho certeza que você está pensando: "já vi esse filme em algum lugar!"
Carequinha apresentava graves problemas de saúde desde o final do ano passado.
Na madrugada do dia 5 de abril, morreu o palhaço Carequinha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Ele estava em sua casa, com sua família.
Carequinha apresentava graves problemas de saúde desde o final do ano passado.
Seu nome verdadeiro era George Savalla Gomes.
Sua mãe era trapezista e ele começou a trabalhar no circo com apenas cinco anos de idade.
Carequinha completaria 91 anos de idade em julho.
Sempre quis escrever sobre minha paixão por cartas, não as do baralho, mas cartas de amor, de amigos, de viagens, de fãs, correspondência, enfim. Faltava o pretexto, que Walter Salles agora me deu. Fui ver "Central do Brasil". Um filme tocante, que nos remete a outro Brasil, um Brasil sem fax, computador, internet. Um Brasil que não se conecta pela tomada, mas pela emoção, e cuja comunicação quase sempre se dá via oral, ou então pela música, pelo olhar. Um país onde a palavra escrita é um luxo.
Paulo Francis disse certa vez que a carta era o mais sofisticado instrumento de comunicação entre os seres humanos. É fácil entender por quê. As cartas tornaram-se obsoletas depois da invenção do telefone, que hoje cobre todo o país, automatizando os contatos. Telefonar é mais prático, evidente. É o meio ideal para convocar uma reunião, marcar hora no cabeleireiro ou avisar a namorada que se está atrasado. Telefone é bom para dar recado, sinal de vida, agendar-se. Não para declarar amor, narrar histórias, não para exercitar o lirismo e libertar o poeta que existe em nós.
Toda carta traz mais que uma mensagem. Traz, antes de tudo, a certeza de que alguém pensou em você, não por um segundo, mas por tempo suficiente para se mobilizar: providenciou caneta e papel, sentou, escreveu, procurou o endereço, comprou selo e dirigiu-se a uma agência dos correios. Toda carta traz a expectativa gerada por essa ação, traz a angústia do envelope fechado, que pode portar notícias boas ou ruins, provocar aproximações ou afastamentos. Toda carta é um pedaço de papel que voou, andou de trem, nasceu em outro lugar, esteve em outras mãos, e que, agora, encontra o seu dono, sabe-se lá quantos dias depois. Cartas são documentos de época. Cartas amenizam carências.
Romantismo? Total e absoluto. Adoro ler livros compostos por cartas, sejam elas inventadas ou verídicas. É um voyeurismo autorizado. "Cartas a um Jovem Poeta", de Rilke, e as cartas de Mário de Andrade a Fernando Sabino, só para citar dois exemplos, são lições de literatura e vida. O meu preferido do gênero, no entanto, é o livro que reúne as cartas escritas pelo ator francês Gérard Depardieu aos seus conterrâneos Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, François Miterrand, Truffaut, e também cartas à doença, ao dinheiro, à natureza. Não vai ser fácil encontrar um exemplar, foi editado em 1988 e chama-se "Cartas Roubadas", da Editora Nova Fronteira.
Antigamente, eu escrevia muitas cartas, a maioria à mão, como deve ser. Hoje, mantenho correspondência com poucas pessoas, um amigo na França, alguns leitores e só, e cometo o pecado de escrever tudo no computador, que deixa tudo impessoal. A tecnolgia acabou com a minha caligrafia, tenho dificuldade até para preencher cheque, não reconheço mais a minha letra. Mas continuo a valorizar esse meio de comunicação antiquado e luxuoso. Mais do que um ajuntamento de palavras, a carta é um desabafo, uma confissão, um voto de confiança nos interlocutores que não podemos enxergar nem ouvir a voz. Carta é quente, e-mail é frio. Sem mais, me despeço, atenciosamente.
Martha Medeiros